CONSELHOS DO APOSTOLO PAULO A TIMÓTEO .

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
SUBSÍDIO – CLASSE ADULTOS - LIÇÃO 6
TEMA: CONSELHOS GERAIS



INTRODUÇÃO
Capítulos 5 e 6 de 1ª a Timóteo!!! Eis, Paulo dedicado a aspectos diversos das relações entre pessoas; ensinando aos cristãos de Éfeso a como tratar anciãos e moços (5.1), anciãs e moças (5.2), viúvas (5.3-16), presbíteros (5.19), pecadores da igreja (5.20 e 22) donos de escravos (6.1-2), corruptos de entendimento (6.3-6), avarentos (6.7-10) e, mais uma vez, aconselhando diretamente o novo líder Timóteo (5.23/6.11-21)!!!
Lembremos: Paulo falava para uma igreja imatura, para cristãos pouco estruturados, com pouco conhecimento da Palavra de Deus e, portanto, sem conhecimento dos chamados princípios verticais (que dizem respeito ao nosso relacionamento com Deus) e dos princípios horizontais (que dizem respeito ao nosso relacionamento com as pessoas). Ou seja, aqueles cristãos precisavam aprender tudo sobre como ser e se comportar como cristão.
Estamos em 2015. Paulo e Timóteo estavam entre 64 e 68. Havia pouco mais de 30 anos que Jesus morrera e pouco mais de 10 anos que Paulo estivera em Éfeso anunciando o Evangelho pela primeira vez. Isso, numa época que a comunicação era precária; não existia nem internet nem telefone nem fax nem avião nem carro nem moto...nem Bíblia. E não nos esqueçamos: um ambiente cultural diversificado, marcado pelo misticismo e pelo sincretismo religioso.
Assim, Paulo se dedicava como um verdadeiro pastor a apascentar, a orientar as ovelhas de Éfeso.
Falaremos de algumas destas pessoas e destas situações tratadas por Paulo! E estejamos preparados para algumas perguntas inevitáveis quando tratamos de assuntos como estes. Doutrina ou Costume??? Devem ou não ser aplicadas em nossos dias???


I – O CUIDADO COM O REBANHO
  1. O cuidado com os anciãos – Paulo não era psicólogo nem era geriatra mas, como imitador de Cristo, como bom pastor que zela por suas ovelhas, como cristão que tem sensibilidade para se atentar para as peculiaridades de cada um, sabia que uma pessoa mais velha se sente melhor, reage melhor quando é reconhecida e tratada como se fosse especialmente respeitada, não só pela fragilidade física provocada pelo tempo mas, principalmente, pela experiência que adquiriu ao longo da vida.  Afinal, cada um tem suas carências, suas vaidades e, sem dúvida, o avanço da idade estimula algumas destas carências e vaidades no ser humano. Quem admoesta a um ancião como se fora seu pai, o faz com modéstia, com humildade, sem deixar passar a impressão de que está ensinando por se considerar mais sabichão, mais esperto, moderno. Mas o faz deixando claro que naquele determinado momento e naquela determinada circunstância percebeu alguma coisa que precisa ser comunicada, ensinada ou, mesmo corrigida. Sempre com cuidado, carinho, respeito, lembrando sempre que esta é uma relação de pastor para ovelha; e o pastor que apascenta seu rebanho como Cristo requer, sempre quererá o bem de suas ovelhas. E assim, lembrando o salmista Davi, a vara e o cajado devem ser usados para consolar uma ovelha errante quando corrigida.


  1. O cuidado com as mulheres idosas e viúvas – Paulo recomendou o mesmo cuidado para com as mulheres idosas.  Fazendo assim, Paulo deixava claro que a doutrina cristã, que o Evangelho têm tudo a ver com bons costumes, com cordialidade, respeitabilidade, carinho... Afinal, tudo que diz respeito ao caráter divino se resume a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E esses sentimentos devem ser externados, provados na prática de boas atitudes como o bom trato aos mais...velhos.

    Neste capítulo (5), constatamos a atenção especial que Paulo dedicou às viúvas e suas causas. Não é por acaso. Já perceberam o quanto elas foram lembradas e citadas nas Sagradas Escrituras e, assim, o quanto a causa das viúvas era uma questão de justiça perante Deus?  


Êxodo 22.22-24: “A nenhuma viúva nem órfão afligireis! Se de algum modo os afligirdes e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor e a minha ira se acenderá e vos matarei à espada...” . Deuteronômio 10.17-18: “Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores...que faz Justiça ao órfão e à viúva...”Provérbios 15.25: “O Senhor desarraiga a casa do soberbo mas estabelece o termo da viúva”. Deuteronômio 24.17-21; 26.12-13; 27-19; Salmos 146.9; Isaías 1.17; Jeremias 7.6-7; 22.3; Zacarias 7.9-10 são outras referências de como Deus tinha as viúvas como símbolo da provocação para a necessidade de se praticar o amor, a justiça, a caridade, as boas obras.


Os primeiros diáconos da igreja foram nomeados após uma reclamação dos gregos “porque suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (At 6.1). O irmão de Jesus, Tiago definiu: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27).


Durante séculos na sociedade judaica, a condição da viúva foi, realmente, um caso especial.  A mulher era sustentada pelo marido e não era bem-vinda nos trabalhos fora do lar. Seu digníssimo papel era cuidar da família. Em caso de falecimento do marido, ela passava a depender dos filhos. Algumas ainda não os tinham ou os tinham ainda muito novos. Assim, ficavam, realmente, dependentes de ajuda. Não por acaso, os cuidados especiais de Elias com a viúva de Sarepta (I Rs 17.8-24), de Eliseu com a outra viúva (II Rs 4.1-7) e com a sunamita que já tinha o esposo velho e não tinha filhos (II Rs 4.8-37) e de Jesus com a viúva de Naim (Lc 7.11-17).


Mas Paulo foi bem específico; não se contentou em chamar a atenção para as necessidades das viúvas de maneira generalizada e utilizou alguns critérios para identificar as que deveriam ser ajudadas pela igreja. A essas ele chamou de “viúvas verdadeiras” (5.3) que não tinham nem filhos nem netos (e por isso não podiam ser sustentadas – 5.4), tinham menos de 60 sessenta anos (maior probabilidade de um novo casamento – 5.9), haviam se casado apenas 1 vez (5.9) e que praticavam boas obras (5.10).


No entanto, Paulo generaliza quanto às viúvas “mais novas” e ensina que a igreja não deve ajudá-las materialmente porque “quando se tornam levianas contra Cristo querem casar-se, tendo já a sua condenação por haverem abandonado a primeira fé (ou o primeiro compromisso)” e, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém.”


Bem...aqui, algumas questões importantes: É verdade que a leitura do texto deixa a impressão de que Paulo tem um pré-conceito quanto à idade e que este é seu único critério para identificar as “levianas”, “ociosas” e “paroleiras”. Mas é fácil identificar logo que Paulo falava das “mais novas” que não esperavam em Deus e não perseveravam de dia e de noite em rogos e orações (ver 5.5).


Outra questão importante: por que não ajudá-las, mesmo com suas imperfeições? Isso não é fazer acepção de pessoas? Bem...Paulo não recomenda à igreja abandoná-las. Recomenda ensiná-las, instruí-las: “Manda, pois, estas coisas para que se tornem irrepreensíveis” (5.7). E mais: essa recomendação fazia referência à ajuda que a igreja dava. Paulo sabia que a igreja não consegue resolver os problemas de todo mundo. Por isso, é preciso ser seletivo, ter critérios para definir a quem os recursos serão destinados. E ainda mais: elas não usufruiriam dos recursos materiais da igreja mas deveriam ser ajudadas pessoalmente pelos crentes que tinham condições (5.16).


Em nossos tempos, em nossa sociedade as viúvas não são, necessariamente, símbolos de injustiça, de falta de cuidado, de caridade. Mulheres de todos os níveis sociais são hoje assistidas com pensões de seus falecidos maridos, além das que participarem ativamente de todos os setores do mercado de trabalho, dando conta do próprio sustento.


Certo é que a prática da justiça, do amor, da caridade, de toda boa obra para com todos continua, obviamente, sendo uma responsabilidade de todos nós cristãos.


  1. O cuidado com os ministros fiéis – Vejam que interessante! Paulo, mais uma vez, é criterioso. Conhecemos na lição 4 a lista de pré-requisitos para os que desejavam o pastorado. Conhecemos no item anterior, os pré-requisitos para que uma viúva recebesse ajuda da igreja. Não foi diferente com relação ao tratamento, à recompensa da igreja para com os ministros, os obreiros. Os que “governam bem”; não qualquer um.

Para governar bem é preciso total dedicação espiritual, física, intelectual e emocional. É preciso, fundamentalmente, ter mente de pastor, de apascentador do rebanho que Deus resgatou com sangue (At...). Um ministro que governa bem não o faz só em horários e locais  determinados. Ou seja, não basta ser bom ministro só na igreja nos horários de culto; é preciso dedicação integral. E a despeito de qualquer ignorância, os que assim procedem devem ser recompensados materialmente por isso, sendo, portanto, remunerados para que assim tenham tranquilidade o suficiente para cuidar da família e apascentar as ovelhas.

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